História de cumplicidade dentro e fora do quartel marca o Dia das Mães na Polícia Militar

O ajuste da farda antes do serviço virou ritual. De um lado, a 3º sargento Janete Abreu, do Comando de Missões Especiais (CME), com 16 anos de Corporação. Do outro, a filha, soldado Thamires Abreu, do 5º BPM, de Castanhal, formada na turma do Curso de Formação de Praças 2025 (CFP/2025). Mãe e filha hoje dividem mais que o sobrenome: compartilham a missão de servir e proteger o Pará.

A trajetória da sargento Janete na Polícia Militar é marcada por recomeços. Casada por 12 anos, mãe de cinco filhos: Richard, David, Thamires e os gêmeos Cauã e Cauê —, ela viu a vida mudar quando o casamento terminou. Um ano depois veio a aprovação no concurso da PM.
O curso de formação a levou para o polo de Marabá e a afastou dos filhos por um ano. “Foi o período mais difícil. Mas a Polícia foi minha tábua de salvação”, relembra. Após a formatura, Janete voltou para buscar as crianças e foi lotada no 4º BPM.
No batalhão, os filhos se tornaram parte da rotina. “Enquanto eu tirava serviço de guarda, eles jogavam bola no quartel e assistiam, admirados, às instruções do Tático”, conta. Três anos depois, com apoio dos pais, retornou a Belém. O objetivo sempre foi um só: “Educar e oferecer a eles um ambiente saudável, para que não passassem pelas dificuldades que enfrentei”.
Hoje, aos 16 anos de serviço, Janete vê a missão de mãe se misturar ao orgulho profissional. Dois dos cinco filhos seguiram a farda: o mais velho, SD Abreu Paiva, e a terceira filha, SD Thamires.
“Ver meus filhos conquistando seus espaços tão cedo me traz uma alegria imensa e a certeza de que toda a luta valeu a pena. É um sentimento de vitória, de dever quase cumprido”, diz a sargento.
Para a soldado Thamires, a escolha foi natural. “Minha mãe sempre foi uma mulher forte e admirável. É afeto, é cuidado, é aquela palavra amiga nos dias difíceis. A pessoa mais resiliente que já conheci. Mesmo diante das dificuldades, nunca se deixou abalar. Usou tudo como combustível pra continuar”, descreve.
Crescer vendo a mãe exercer a profissão “com muita dignidade e excelência” despertou na filha o desejo de vestir a mesma farda. “Eu queria poder retribuir o orgulho que sentia dela. Queria que ela me visse da mesma forma como a vejo: com olhar de orgulho e admiração”, afirma Thamires.
Hoje, recém-formada, ela carrega os ensinamentos aprendidos em casa. “Como mãe e profissional, ela sempre foi meu maior exemplo. Levo comigo a força, a coragem, a empatia e a dedicação que aprendi vendo ela todos esses anos. Carrego o melhor dela comigo. É uma honra seguir os mesmos passos”, completa a soldado.

Neste Dia das Mães, a sargento Janete deixa um recado às companheiras de Corporação: “Às nossas mães militares, deixo todo o meu respeito. As senhoras carregam muitas missões, e a mais nobre delas é ser mãe. Não existe graça maior do que encaminhar para a vida homens e mulheres que construirão uma sociedade melhor. Feliz Dia das Mães!”
Entre escalas, ocorrências e o cuidado com a família, mãe e filha provam que a farda não anula a maternidade. Ao contrário: a fortalece. E transforma a luta de uma em legado para a outra.
